Pragas Urbanas

Lagarta do Pinheiro

A processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) é um inseto desfolhador de pinheiros e cedros. Os adultos, que se apresentam como borboletas de cor acastanhada, fazem as posturas nos raminhos das árvores susceptíveis durante o Verão e, ao fim de trinta a quarenta dias, eclodem as jovens lagartas. Estas lagartas alimentam-se de agulhas durante o dia e à noite permanecem em ninhos provisórios até completarem o seu 2.º estádio.

A partir do 3.º estádio a alimentação passa a ser noturna e há formação de ninhos de Inverno, onde se juntam lagartas de várias colónias.

A duração do 4º estádio é variável conforme as condições climatéricas – desde 1 mês em zonas quentes até cerca de 3 meses em locais mais frios. Durante esta fase os ninhos são constituídos por fios de seda brancos, na parte apical dos ramos.

No final do Inverno/início da Primavera, dá-se a passagem das lagartas para o 5.º estádio, fase caracterizada por uma intensa alimentação em que podem desfolhar significativamente os “pinheiros” e que termina com o abandono do ninho e da árvore pelas lagartas já maduras. Este abandono dá-se pela descida, em “procissão” (daí o nome de processionária”) para procurarem um local no solo para se enterrarem e passarem ao estádio de pupa ou crisálida, a uma profundidade que varia entre os 5 e os 20cm.

O período de crisálida pode ser variável e termina com a transformação em borboletas, já no Verão, iniciando um novo ciclo.

Espécies hospedeiras: todas as espécies dos géneros Pinus e Cedrus.

Como controlamos esta praga?

Nos arruamentos, jardins, parques e escolas básicas do concelho de Setúbal, existem centenas de pinheiros e cedros, espécies que poderão alojar a praga “processionária do pinheiro”, como tal, o Município do Setúbal implementa anualmente um plano integrado de controlo da praga.

A monitorização da praga é realizada no final da Primavera / Verão, período de voo dos adultos, com o recurso à instalação de armadilhas com feromonas para captura de machos adultos. Durante o Outono, efetua-se o tratamento fitossanitário por microinjeção no tronco, método que respeita o meio ambiente  já que não tem perdas por escorrência ou por arrastamento provocado pelo vento e, para além disso, é inofensivo para a população e animais.

No Inverno, fase mais perigosa da praga, principalmente pelos danos que pode causar em pessoas e animais, a destruição mecânica das lagartas é, nessa altura, o método mais eficaz de controlar a praga. Este controlo consiste essencialmente no corte, destruição e queima dos ninhos.

Como o ciclo biológico desta praga depende das condições climáticas de cada ano, as fases mais problemáticas podem ser antecipadas e pode acontecer que a “processionária do pinheiro” possa completar dois ciclos anuais.

Outra medida a implementar, é a colocação de ninhos para os chapins, outro auxiliar muito importante no controlo da processionária do pinheiro uma vez que se alimenta das larvas deste inseto nos diversos estádios de desenvolvimento.

Cuidados especiais

No período em que as lagartas descem, em “procissão”, para o solo, os seus pelos urticantes encontram-se nos ramos, ninhos e podem ainda ser transportados pelo ar. Quando em contacto, podem provocar alergias ao nível da pele, do sistema ocular e do aparelho respiratório.

Nas escolas e outros locais onde estejam presentes crianças deve impedir-se, sempre que possível, o seu acesso à zona das árvores atacadas, sobretudo na altura em que as lagartas descem da árvore.

É também de grande importância o apelo à aplicação destes mesmos cuidados em áreas privadas ou privadas de uso público. Todos os proprietários de árvores sensíveis à praga, ao realizarem algum dos tratamentos descritos, devem utilizar sempre equipamentos de proteção nas mãos, pescoço, olhos, nariz e boca.